Deputada do PL afirma que indicação representa “sequestro dos espaços femininos”; Erika Hilton assume comando do colegiado nesta semana.
A eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados gerou reações e críticas dentro do Congresso Nacional. A deputada Bia Kicis (PL-DF), integrante da Frente Parlamentar Católica da Casa, classificou a escolha como uma “afronta” às mulheres que buscam representação política.
Em declaração à ACI Digital, Kicis afirmou que a indicação de Hilton para o comando do colegiado representa, segundo ela, um “sequestro dos espaços femininos”.
“A indicação de Erika Hilton é uma afronta a todas as mulheres que buscam ser representadas por mulheres. O que ocorre é um sequestro dos espaços femininos para tratar de temas alheios à mulher, e isso é um desrespeito”, disse a parlamentar.
Erika Hilton assumiu a presidência da comissão na tarde de terça-feira (11). A mesa diretora do colegiado também será composta pelas deputadas Laura Carneiro (PSD-RJ), delegada Adriana Acorsi (PT-GO) e Socorro Neri (PP-AC), que ocuparão respectivamente os cargos de primeira, segunda e terceira vice-presidentes.
De acordo com a Câmara dos Deputados, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher possui 12 atribuições relacionadas à promoção, proteção e garantia dos direitos das mulheres. Para Bia Kicis, no entanto, as prioridades da nova presidente estariam voltadas a outras pautas.
Segundo a deputada do PL, Erika Hilton já teria indicado que pretende trabalhar temas ligados à pauta trans durante sua gestão à frente do colegiado.
“Nós não impediríamos a criação de uma comissão específica para tratar de pautas trans, por exemplo, porque entendemos que todos têm o direito de serem representados”, afirmou Kicis.
A parlamentar também afirmou que deputados que se manifestam sobre o tema estariam sendo alvo de críticas e possíveis ações judiciais.
“Pairam sobre nós, que nos manifestamos sobre o tema, ameaças de processos judiciais por transfobia”, declarou.
Além das manifestações no Congresso, a eleição também motivou mobilização fora do Parlamento. O Instituto Isabel, entidade que atua na defesa de direitos fundamentais e na proteção de crianças, adolescentes e da família, lançou uma petição na plataforma CitizenGO contestando a escolha de Erika Hilton para a presidência da comissão.
A eleição e as declarações reacenderam o debate político em torno da representação feminina e das pautas de gênero dentro do Legislativo.












Leave a Reply