A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou três adultos — pais e um tio de adolescentes investigados no caso da morte do cão comunitário Orelha — pelo crime de coação de testemunha no curso das investigações sobre o ataque ao animal, conforme informou a corporação em coletiva nesta terça-feira (27).
O indiciamento faz parte de um segundo inquérito aberto especificamente para apurar possíveis interferências externas na investigação principal, que apura maus-tratos contra o cão. De acordo com as autoridades, os adultos teriam tentado intimidar um vigilante de condomínio que possuía uma foto considerada relevante para esclarecer o caso. Por questões de segurança, o profissional foi afastado de suas funções.
Segundo a Polícia Civil, os três indiciados — dois empresários e um advogado — estão sendo investigados por ameaçar e constranger uma testemunha com o objetivo de influenciar o andamento das apurações, crime previsto no Código Penal. Os nomes e detalhes pessoais não foram divulgados.
O caso começou a ganhar destaque no início de janeiro, quando quatro adolescentes foram identificados como suspeitos de agredir violentamente o cão Orelha, que vivia como animal comunitário na Praia Brava, em Florianópolis, e era conhecido e cuidado por moradores locais.
Orelha foi encontrado com ferimentos graves e precisou ser submetido à eutanásia devido à gravidade do estado de saúde. Além disso, a investigação também apura a possível tentativa de afogamento de outro cão na mesma região.
A apuração dos maus-tratos e da coação segue em andamento. A Justiça ainda não autorizou a apreensão de aparelhos eletrônicos dos adultos indiciados, e a polícia analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança em busca de evidências adicionais.

